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sábado, 23 de julho de 2011

Tratamento do câncer

O tratamento do câncer é definido pela equipe médica baseado na tipologia cancerígena e o estádio da doença. As principais modalidades de tratamento são: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, hormonioterapia, terapia oral e terapia alvo. Podendo ser realizadas isoladas ou combinadas.

Procedimento cirúrgico.
A cirurgia é o tratamento mais antigo, realizado principalmente quando o tumor está no estágio inicial e em condições favoráveis a remoção. Este procedimento é utilizado principalmente no tratamento de tumores gastrointestinais, ginecológicos, torácicos, tumores endócrinos, sarcomas e melanomas.
Normalmente este tratamento segue associado a outras formas terapêuticas como a radioterapia ou quimioterapia. E em tumores, nos quais, a maioria das células mutadas se apresenta no estágio de senescência por algum fator, e não respondem aos quimioterápicos, geralmente é aconselhável, observando outros fatores clínicos, a remoção parcial do tumor para que essas células entrem novamente em divisão celular e possam responder ao tratamento pelos quimioterápicos.

Quimioterapia             
Na atualidade a quimioterapia é a principal forma de ataque terapêutico a tumores podendo também ser associada a outros recursos como a radioterapia e procedimentos cirúrgicos.
A mesma é resultante de compostos químicos, que inibem o crescimento celular cancerígeno, destrói as células cancerosas eliminando desta forma o processo tumoral.  Podendo ser aplicado um quimioterápico (monoquimioterapia) ou uma associação dos mesmos (poliquimioterapia), sendo este mais eficaz e utilizado no combate ao câncer.
As principais classes de agentes antineoplásicos são os alquilantes polifuncionais, os antimetabólitos, os antibióticos antitumorais e os inibidores mitóticos entre outros. Os mecanismos de ação dessas drogas se baseiam na interferência dos processos celulares, como a tradução do DNA e a transcrição do RNA em proteínas, prejudicando, assim, a formação de enzimas. Diminuindo a proliferação e as funções celulares tanto de células normais quanto cancerosas.
Os quimioterápicos são classificados de acordo com a sua atuação no ciclo celular em:
 Bruce e col.(1969):
-Ciclo-inespecíficos - Aqueles que atuam nas células que estão ou não no ciclo proliferativo, como, por exemplo, a mostarda nitrogenada.

-Ciclo-específicos - Os quimioterápicos que atuam somente nas células que se encontram em proliferação, como é o caso da ciclofosfamida.

- Fase-específicos - Aqueles que atuam em determinadas fases do ciclo celular, como, por exemplo, o metotrexato (fase S), o etoposídeo (fase G2) e a vincristina (fase M).

Essa forma de tratamento pode ter várias características: Curativo quando é utilizado a fim de controlar o tumor; Adjuvante quando realizado após a cirurgia curativa para esterilizar células residuais locais ou circulantes; Neoadjuvante quando realizado antes da cirurgia ou radioterapia para diminuir o tumor; E paliativo quando é feito para melhorar a qualidade da sobrevida do paciente.
A aplicação da quimioterapia deve seguir critérios que dependem da condição clínica do paciente, podemos citar alguns, como: ausência de contraindicações clínicas para as drogas selecionadas; ausência de infecção ou infecção presente, mas sob controle; contagem de Leucócitos > 4.000/mm³; Plaquetas > 150.000/mm³; Uréia < 50 mg/dl ; entre outros.
A quimioterapia tem toxicidade elevada, pelo fato de não ser seletiva, atuando também em células que se renovam constantemente. Tal fato reflete em muitos efeitos colaterais, como náuseas, vômitos, diarréia e alopecia, que vem tentando. Sendo esta forma de tratamento realizada em ciclos periódicos para que haja tempo hábil de recuperação das células sadias. 

Essa forma terapêutica tem maiores chances de ser bem sucedida ao ser iniciada quando a população tumoral é pequena, a fração de crescimento é grande e a probabilidade de resistência por parte das células com potencial mutagênico é mínima.

Radioterapia
A radioterapia é mais utilizada quando a cirurgia não pode ser realizada, quando não há remoção total do tumor ou quando após esse procedimento há retorno da massa celular tumoral.
Essa forma de tratamento pode ser classificada como: radical ou curativa, quando se busca a cura total do tumor; remissiva, quando é realizado para reduzir o tumor; profilática, quando se trata a doença em fase subclínica, isto é, não há volume tumoral presente, mas possíveis células neoplásicas dispersas; paliativa, quando se busca a remissão de sintomas tais como dor intensa, sangramento e compressão de órgãos; e ablativa, quando se administra a radiação para suprimir a função de um órgão.
Na aplicação da radioterapia, há o direcionamento de uma radiação ionizante no tumor ou em uma determinada área pré-determinada. As radiações ionizantes são eletromagnéticas ou corpusculares e carregam energia, onde os tipos de radiação utilizados variam de acordo com a fonte de energia utilizada, quantidade de energia e o método de aplicação (superficial, semiprofundo, profundo e braquiterapia). São exemplos de radiações: raio X, raio gama e raio beta.
Os efeitos colaterais geralmente são bem tolerados, sendo classificados em imediatos e tardios. Os imediatos são observados nos tecidos com maior capacidade proliferativa, ocorrendo somente se estes tecidos estiverem incluídos no campo de irradiação e podem ser potencializados pela administração simultânea de quimioterápicos. São eles a anovulação ou azoospermia, epitelites, mucosites e mielodepressão (leucopenia e plaquetopenia). Enquanto que os efeitos tardios são raros e ocorrem quando as doses de tolerância dos tecidos normais são ultrapassadas. Neste caso observam-se atrofias e fibroses.

Imunoterapia
Imunoterapia é a estimulação do sistema imunológico, através do uso de substâncias modificadoras da resposta biológica.
Essa terapia é classificada em passiva ou ativa. A primeira ocorre quando são utilizados anticorpos antitumorais ou células mononucleares exógenas com o objetivo de combater a doença. A segunda ocorre quando é usado substâncias estimulantes e restauradoras da função imunológica e vacinas de células tumorais para intensificar a resistência ao crescimento tumoral, porém esse método ainda é experimental, necessitando realizar mais estudos que comprovem resultados significativos sobre sua eficácia e aplicabilidade clínica.

Hormonioterapia
A hormonioterapia, é utilizada no combate de tumores que expressam receptores hormonais, dessa forma se desenvolvem devido a presença do hormônio. Sendo assim, esse tratamento impede a ação dos hormônios sobre o órgão alvo.
Foi inicialmente utilizado no câncer de mama, mas vem sendo aplicado em tumores sensíveis a hormônios, como os carcinomas endometriais, prostáticos e os tumores tiroidianos iodocaptantes. 
As medicações do tratamento são administradas por via oral, intravenosa, intramuscular e/ou subcutânea. Para a supressão hormonal indica-se a cirurgia ou radioterapia direcionada para glândulas específicas, a fim de reduzir ou eliminar a produção de hormônios que tenham o potencial de ou estejam estimulando o câncer.

Terapia oral
A terapia oral é o método de escolha preferencial pelos pacientes, devido à menor necessidade de visitas ao consultório médico e pela praticidade da administração. Sem a necessidade de internação, os custos com o tratamento oncológico diminuem.

Terapia alvo
A terapia alvo consiste em um tratamento com um alvo molecular específico. Essa terapia ainda está no início, mas já existem alvos descobertos e moléculas em desenvolvimento.



quinta-feira, 2 de junho de 2011

Invasão, metástase e angiogênsese da matriz extracelular.

Quando se instaura um processo maligno, onde ocorreu alterações em todos as camadas do epitélio, dependo do perfil e das características do tumor, este pode romper a membrana basal, invadir a matiz extracelular e se disseminar para outros tecidos.

  O primeiro passo para que o tumor invada a matriz extracelular, é a diminuição da expressão de E caderinas (A), responsáveis pela união das células, levando assim a um afrouxamento das mesma e as deslocando. As células tumorais começam a expressar componentes na sua membrana, as integrinas, que permite que as células interajam com os componentes da matriz.

  Após esta interação as células malignas começam a secretar colagenases tipo IV, que degradam os componentes da matriz extracelular, desestruturando e permitindo assim a invasão das células, esta invasão é mediada por fatores de mobilidade autócrinos.
(Robbins & Contran 2005) 
Uma vez na circulação sanguínea, as células do tumor, migram ate o novo local de implantação do tumor, essa escolha para nova inserção no tecido é mediado pela expressão de  receptores específicos nos tecidos, CSCR4 e CCR7, pelo microambiente do tecido, se este favorável ocorre a implantação, como também o perfil de quimiocinas específicas  e seus receptores, permitindo assim que cada tipo de tumor tenha um tropismo em relação ao tecido.
Uma vez no local de implantação, o tumor adere ao endotélio, esta adesão mediada por CD44, integrina . Após a adesão as células penetram na membrana endotelial  e se inserem no tecido. O passo seguinte dessa cascata é a angiogênese tumoral, para que o tecido supra as necessidades do tumor em termos de oxigenação.
 O organismo desenvolve resposta imunológica ao desenvolvimento e migração das células tumorais. Essa resposta é mediada por linfócitos T citotóxicos (LTc), que com ajuda das células NK secretam IFNy, que ativam macrófagos para liberação de mais citocinas. Os Linfócitos T citotóxicos agem destruindo a célula tumoral pela via perforina-granzima. Outros mecanismos efetores caracterizam-se pela ação das NK contra as células malignas subreguladoras de MHC I e a síntese de anticorpos que ativam o sistema complemento para que ocorra a lise das células transformadas.
Todos esses mecanismos efetores, não se mostram muito eficientes pois as células tumorais desenvolvem mecanismos de evasão da resposta imune, como por exemplo: desenvolvimento preferencial das células com menor potencial de antigenicidade; ausência da expressão do co-estimulo, necessário para ativar os LTCs;  glicocalix contendo ácido sialíco ocorrendo o mascaramento de antígenos e receptores e a expressão de ligante de Fas que induz a apoptose dos LTC.





quarta-feira, 1 de junho de 2011

Metástase

As metástases são implantes tumorais separados do tumor primário em um outro sítio anatômico. A metástase caracteriza uma neoplasia como sendo maligna porque as neoplasias benignas não metastatizam, uma vez que, nas neoplasias malignas são formadas células com fenótipo altamente maligno (auto-suficiência dos sinais de crescimento; insensibilidade aos sinais inibidores do crescimento; evasão a apoptose; defeitos no reparo do DNA e potencial infinito de replicação). A disseminação metastática reduz fortemente a possibilidade de cura.

A disseminação dos tumores pode ocorrer através de uma das três vias: implante direto nas cavidades corporais ou nas superfícies (característico de carcinomas); disseminação linfática (carcinomas e sarcomas); e disseminação hematogênica (típica dos sarcomas).


Metástase pulmonar (Melanoma de pele) – Neoplasia bem delimitada e parcialmente pigmentada. Via de disseminação hematogênica.


Pulmão normal



Pele Normal




Melanoma da pele

Fontes:
Imagens: Anatpat – Unicamp
Texto: Robbins e Cotran: Patologia: Bases Patológicas das Doenças, 2005.

Cascata metastática

Para que as células tumorais se soltem de uma massa primária, penetrem nos vasos sanguíneos ou linfáticos e produzam um segundo crescimento tumoral num local à distância, elas devem seguir uma série de etapas.

Imagem e Texto: Robbins e Cotran: Patologia: Bases Patológicas das Doenças, 2005.

Invasão, metástase e angiogênsese da matriz extracelular.

Quando se instaura um processo maligno, onde ocorreu alterações em todos as camadas do epitélio, dependo do perfil e das características do ...